DMI Daily Comments – 27 de novembro de 2018

Em entrevista ao Wall Street Journal, Trump enfatizou que o aumento tarifário programado para janeiro de 2019 será mantido. Neste mês, as tarifas incidentes sobre US$200 bi de importações da China aumentarão de +10% para +25%. Adicionalmente, o presidente norte-americano ameaçou ampliar a taxação (+10% ou +25%) para todo o restante de importações (US$267 bi) vindas do país asiático, caso não haja nenhum acordo com Xi Jinping neste final de semana (Reunião do G20). A China, por seu turno, objetiva suspender/eliminar todos os aumentos tarifários já em vigor desde meados de 2018. Ainda segundo o Presidente Trump, a saída do Reino Unido da União Européia terá reflexo também no comércio dos EUA com a região. Neste contexto, o Euro (-0,2%) e a Libra (-0,4%) perdem valor frente ao Dólar. Os futuros de índice norte-americanos mostram no momento discretas quedas: DJ -0,01%, S&P -0,1% e Nasdaq -0,1%. 

Os mercados na Ásia tiveram desempenho contido nesta terça-feira, na expectativa pela reunião do G20. No Japão, o Nikkei encerrou o pregão em alta de +0,6% puxado pelo segmento de eletrônicos (favorecido pelas vendas neste último feriado). Já Hong Kong teve discreta queda (-0,2%), assim como a bolsa de Cingapura (-0,1%). Na China continental, o índice de Xangai fechou basicamente estável (-0,04%) ao passo que Shenzhen, segundo maior mercado no país, subiu em +0,4%, influenciado por small caps principalmente. 

Com a produção recorde de óleo na Arábia Saudita, as cotações do BRENT e do WTi recuam nesta manhã. E a tensão no comércio global gera pressão negativa adicional sobre os principais metais. As bolsas europeias também mostram desempenho tímido nesta manhã. O índice pan-europeu STOXX 600 cede -0,01%, ao passo que  as bolsas em Milão e na Alemanha sobem +0,2% e o FTSE-100 (Londres) recua em -0,1%.

Por aqui, Michel Temer sancionou o reajuste de +16,4% para os vencimentos dos 11 ministros do STF e da PGR. Com isso, o teto do funcionalismo nacional passará para R$39,2 mil, elevando em +R$4,0 bi/ano os gastos públicos consolidados. O Judiciário, como contrapartida, revogou o “penduricalho” do auxílio-moradia na tentativa de atenuar este impacto orçamentário desfavorável, que recairá sobre o próximo governo. Vale notar que Bolsonaro havia classificado este reajuste como “inoportuno” dado o frágil contexto fiscal do País.

No front político, Jair Bolsonaro escolheu o General Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria do Governo, que será responsável pela articulação com o Congresso. A Pasta de Minas e Energia, por outro lado, segue indefinida até o momento. E a votação do projeto da cessão onerosa, prevista para iniciar hoje, pode levar um pouco mais de tempo após a entrada de novos atores em cena. A partilha dos recursos com Estados e Municípios ainda segue em aberto e isto demandará mais articulação por parte das equipes envolvidas.

Ontem, em meio à rápida depreciação do Real, o Banco Central voltou a atuar no mercado cambial. Foram anunciados até US$2,0 bi em novos leilões de linha, visando mais liquidez ao mercado. E, além destes leilões adicionais, o BC carrega operação (linha) de US$1,25 bi que vencerá nos primeiros dias de dezembro e cuja rolagem pode ser reavaliada.

Na agenda de hoje, vale monitorar o discurso de Richard Clarida (vice chair do FED) as 10h45 além da balança de pagamentos no Brasil. No início da noite, teremos mais FED speakers (R. Bostic; C. Evans e E. George).