DMI Daily Comments – 19 de dezembro de 2018

O Projeto de Lei Orçamentária para 2019, aprovado na Comissão Mista de Orçamento (CMO) na última semana, deve ser encaminhado ao Plenário hoje. O limite para sua votação é 22 de dezembro. O orçamento aprovado para o próximo ano estipula déficit de -R$139 bilhões para o Governo Central (Tesouro, BC e Previdência). Será o 6º ano consecutivo no vermelho. O ministro da economia, Paulo Guedes, poderá ainda modificar os números ao longo de 2019. O salário mínimo estipulado é de R$ 1.006 a partir de janeiro.

Está previsto para esta quarta-feira o depoimento de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na ALERJ. De acordo com relatório do COAF publicado no início de dezembro, houve movimento atípico totalizando R$1,2 milhão na conta de Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Este fluxo de caixa era incompatível com a renda do ex-assessor e as movimentações se davam sempre em datas próximas dos recebimentos salariais na ALERJ. Os irmão Flávio e Eduardo Bolsonaro repetiram ontem que apenas Queiroz é o investigado e que, portanto, ele terá que se explicar ao MP. Caso tenha cometido algum erro, deve ser punido segundo os parlamentares.

O dilema em torno das contas fiscais italianas deve ter um desfecho favorável. Com isso, as bolsas europeias iniciaram a manhã no terreno positivo, especialmente Milão (+1,0%). A meta orçamentária inicialmente proposta para 2019 era de -2,4% do PIB, contrariando as regras da União Europeia (que estipulam um teto de -3,0% do PIB para os seus membros). Os parlamentares de Roma sinalizaram, na semana passada, que diminuirão o rombo orçamentário para -2,04% do PIB e algum entendimento em torno deste patamar deve ser formalizado hoje, durante reunião com membros da União Europeia. O índice pan-europeu Stoxx 600 exibe discreta alta (+0,2%) e o Euro ganha +0,3% frente o Dólar, para US$ 1,1398.

Os mercados asiáticos tiveram desempenho misto na sessão de quarta-feira. No Japão, o índice Nikkei perdeu -0,6% com grande influência negativa do petróleo. As exportações japonesas vieram mais fracas em novembro (+0,1% ao ano), ampliando a preocupação com o comércio global. As bolsas chinesas (Xangai -1,1% e Shenzhen -1,4%) também caíram. Já Hong Kong (+0,2%) e Cingapura (+0,4%) exibiram melhor performance. O Dólar perdeu valor perante o Iene e é cotado em 112,35 ienes agora. Uma nova conversa telefônica entre autoridades chinesas e americanas ocorreu nesta quarta-feira. Segundo o Ministério do Comércio chinês, temas econômicos foram tratados, dando continuidade à trégua de 90 dias anunciada no início de dezembro.

Nos EUA, os índices futuros de DJ, S&P e Nasdaq estão todos subindo +0,6% em média, o que sugere viés positivo para os negócios em Wall Street. O pano de fundo é a trégua comercial com a China, além de novos clamores do Presidente Trump (e do Wall Street Journal também) contra o aumento de juros do FED. O Dólar se enfraquece (-0,3% agora) perante a cesta do DXY. E a cotação do petróleo WTI está em $46,5 p.b. (+0,5%).

A decisão do FED (17h00) será o principal tema da agenda de hoje. Confirmadas as expectativas, a taxa dos FED funds subirá para o range 2,25% / 2,50%. Os movimentos seguintes, entretanto, devem ser menores – conforme sinalizado recentemente pelos membros da autoridade. E as expectativas oficiais para os Fed funds (“dot plots“) tendem a ser revisadas para menor. Além do FED, destaque também para a primeira reunião ministerial do Governo Bolsonaro e os dados de inflação CPI/núcleos no Reino Unido.