DMI Daily Comments – 18 de dezembro de 2018

No quadro doméstico, Paulo Guedes voltou a enfatizar as diferentes etapas da reforma previdenciária que pretende implementar. Durante palestra na FIRJAN, o futuro ministro da economia destacou que “acertar” o sistema previdenciário atual será o primeiro passo, seguido da implantação do novo regime de capitalização. A aprovação destas pautas, segundo ele, contará com o suporte das bancadas temáticas do Congresso. E a governabilidade se apoiará também no pacto federativo. Guedes mencionou que os recursos do Sistema S devem ser utilizados mais eficientemente e é possível, inclusive, cortes de até -50% em suas verbas. Sobre a cessão onerosa, admitiu que será (re)discutida apenas no próximo ano.

Já Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu que as mudanças na previdência sejam feitas de uma só vez. O atual presidente da Câmara dos Deputados (e provável candidato à reeleição) sugeriu que o futuro governo aproveite o seu capital político para alterar o sistema de aposentadorias através de um único projeto, logo de início. Eventual fatiamento das propostas trará maior dificuldade de aprovação. A resolução do problema previdenciário, segundo Maia, é responsabilidade de todos os partidos.

Segundo reporta o Valor, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve restabelecer o auxílio-moradia extinto no mês passado e torná-lo mais criterioso. Não há ainda estimativas do impacto fiscal deste novo penduricalho. Sua extinção havia sido negociada com o Presidente Temer após a concessão de reajuste (+16,4%) para os vencimentos do Judiciário. Ainda assim, o auxílio-moradia manteve sua constitucionalidade, o que viabiliza questionamentos em outras instâncias (como o CNJ e CNMP).

Por fim, Embraer e Boeing aprovaram ontem os termos da joint venture anunciada em meados do ano. Englobando apenas o segmento de aviação comercial, a transação é avaliada agora em US$5,26 bilhões, acima do inicialmente projetado (US$4,75 bilhões). A companhia americana desembolsará US$4,2 bilhões e possuirá 80% do capital social da nova empresa. A Embraer, por sua vez, deterá os 20% restantes e terá opção de venda (lock up de 10 anos). As sinergias anuais são estimadas em +US$150 milhões até o terceiro ano da operação. Espera-se que novos mercados sejam desenvolvidos para as aeronaves comerciais em pauta. Os termos aprovados serão agora submetidos ao governo brasileiro (cuja posição se mostra favorável) e aos acionistas das companhias. Autoridades regulatórias americanas e brasileiras também emitirão pareceres. A conclusão do deal é prevista somente para o final de 2019.

Os mercados globais ainda refletem temores com o enfraquecimento da economia mundial. As bolsas na Ásia tiveram mais uma sessão negativa nesta terça-feira. Os índices de Cingapura (-2,2%), Tóquio (-1,8%), Hong Kong (-1,1%) e Xangai (-0,8%) foram destaque, após o discurso neutro do Presidente chinês Xi Jinping. O Dólar se enfraquece em -0,4% frente o Iene (112,33 ienes agora). Em celebração dos 40 anos da abertura chinesa, Xi Jinping afirmou que seguirá o rumo das reformas econômicas e continuará desenvolvendo, mediante coordenação estatal, o livre mercado no país.

Na mesma direção, as principais bolsas na Europa iniciaram esta manhã em queda. Reflexo do sell off visto em Wall Street na véspera, além da instabilidade política na região. O índice pan-europeu Stoxx 600 cede -0,7% no momento, refletindo as baixas em Paris e Madri principalmente. As maiores influências negativas vêm de empresas petrolíferas. O FTSE 100 de Londres também recua -0,9%. E o Euro valoriza perante o Dólar (US$1,1378 agora). As cotações do WTi (US$49) e do Brent (US$59) recuam em torno de -3,5% nesta manhã. Os futuros de índice norte-americanos (DJ, S&P e Nasdaq) exibem também discreta cautela, com variação média de +0,2%. Ontem, o S&P e o Nasdaq registraram suas mínimas no ano. O mercado monitora a reunião do FED, entre hoje e amanhã, que deve aumentar os juros básicos em +0,25 p.p. e revisar para baixo as expectativas de novos aumentos. Trump voltou ontem a criticar o ajuste de juros promovido pelo FED.

Quanto à agenda desta terça-feira, destaque para a Ata da última reunião do COPOM e o início da última semana de trabalho no Congresso Nacional. No quadro global, teremos o índice de sentimento alemão Ifo.

Avaliamos que a taxa Selic será mantida em 6,50% ao ano até o quarto trimestre de 2019, pelo menos. Concordamos com a leitura oficial de que a ociosidade econômica segue elevada e o quadro inflacionário é benigno. Em adição, com a credibilidade do Banco Central intacta após o processo eleitoral, as expectativas continuarão firmemente ancoradas, à espera do próximo choque. Neste sentido, o adequado encaminhamento das reformas será crucial para manter reprimidos os prêmios de risco, colaborando também para manter a política monetária estimulativa. Mais detalhes aqui