DMI Daily Comments – 14 de dezembro de 2018

Na China, os dados de indústria e varejo – que guardam boa correlação com o PIB oficial – vieram abaixo do esperado em novembro. A produção industrial desacelerou para 5,4% no mês e o comércio varejista cedeu para 8,1% (ambos na comparação anual). Os investimentos (FAI), por outro lado, aceleraram para +5,9% no acumulado do ano, mesma direção apontada pelas vendas de casas (+14,8%) e novas construções (+16,8%). A taxa de desemprego (4,8%) continua reduzida por lá. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), os dados se mostram alinhados à meta oficial de 6,5% estipulada para o PIB deste ano, vindo de 6,9% em 2017. Ainda assim, julgamos que impulsos adicionais (monetário/fiscal) se mostram necessários para evitar maior desaquecimento.

Com a economia chinesa mais fraca, as principais bolsas na Ásia encerraram o pregão de sexta-feira no vermelho. E este viés negativo se espalha pelos mercados globais. O Nikkei teve queda de -2,0%, seguido por Hong Kong (-1,6%), Xangai (-1,5%) e Cingapura (-1,0%). E a moeda chinesa perdeu valor frente o Dólar americano. O comportamento dos mercados europeus também é negativo nesta manhã. Com destaque para o índice DAX (-1,5%), dado que a Alemanha é um país bastante vinculado ao comércio global. A segunda maior queda é vista em Milão (-1,4%), permeado pela negociação orçamentária da Itália. E a moeda européia depreciou para US$1,1295, especialmente após o PMI mais fraco na Zona do Euro (51,3 em dezembro). A Libra Esterlina também perde valor (US$ 1,2625). Os receios com o PIB mundial também pesam sobre os índices futuros americanos. No momento, os futuros de DJ, S&P e Nasdaq todos cedem em torno de -1,2%.

No âmbito doméstico, o sentimento dos brasileiros quanto ao futuro governo continua positivo. Na CNI/Ibope divulgada ontem, 75% dos entrevistados aprovam as medidas já adotadas pela nova administração e 66% sustentam expectativas positivas para o País. O grau de conhecimento quanto as medidas efetivas, entretanto, é bastante raso.

Segundo comunicado do Banco Central, dois diretores da instituição solicitaram exoneração de seus cargos: Reinaldo Le Grazie, atual diretor de Política Monetária, e Sidnei Marques, de Organização do SFN. Novos nomes já foram anunciados pela equipe do Governo Bolsonaro. Ainda assim, serão submetidos à sabatina e à aprovação da CAE do Senado (provavelmente em fevereiro). Bruno Serra Fernandes (mestre em economia pela USP) ocupará a diretoria de Política Monetária e João Manoel Pinho de Melo (atual Secretário de Política Econômica da Fazenda, PHD por Stanford) substituirá Marques. A atuação do COPOM, em nossa visão, continuará a mesma.

Por fim, Michel Temer assinou ontem Medida Provisória estimulando a atuação de grupos estrangeiros no setor de transporte aéreo do Brasil. A MP é de vigor imediato e deve ser posteriormente convertida em Lei. E aumentou para 100% o limite da participação de estrangeiros no capital de companhias aéreas operantes no País. O patamar atual é de 20%. Com isso, o processo de RJ envolvendo a Avianca Brasil tende a ser facilitado.

Na agenda de hoje, destaque doméstico para a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Nos EUA, teremos as vendas varejistas e a produção industrial referentes a novembro.