DMI Daily Comments – 10 de dezembro de 2018

Na China, os dados de comércio externo frustraram as expectativas em novembro, ainda que o superávit comercial tenha continuado robusto. No mês, as exportações (em US$) desaceleraram para +5,4% na base anual e as importações, para +3,0%. Ambas as taxas vieram abaixo do esperado (exportações +10% e importações +14,5%) e fizeram o superávit comercial do país saltar para +US$44,7 bilhões em novembro. Quanto ao comércio bilateral com os EUA, a China continuou com saldo positivo no mês, +US$35,6 bilhões. E a inflação chinesa medida pelo CPI desacelerou para 2,2% em novembro, sendo que o núcleo do CPI (menos volátil) está rodando em 1,8%. Ambos os índices estão abaixo da meta oficial de 3,0%, o que corrobora a leitura de que a inflação não é uma preocupação para a gestão econômica do país.

Com a fraqueza no comércio exterior chinês, as bolsas asiáticas perderam valor e o Dólar se enfraquece (-0,02%) perante o iene nesta segunda-feira. O desempenho do PIB do Japão no 3T18 (-2,5% ao ano) também não ajudou. Tóquio teve queda de -2,1%, seguido por Hong Kong (-1,2%) e Cingapura (-1,1%). Na China, o índice de Xangai variou em -0,8%. A aversão ao risco mantém os futuros de ações americanas em baixa. No momento, os índices futuros de DJ, S&P e Nasdaq todos recuam entre -0,3% e -0,4%, trazendo algum viés negativo para a sessão nos EUA. No Velho Continente, o índice pan-europeu Stoxx 600 exibe queda de -0,8% no momento, assim como a bolsa de Frankfurt (mais sensível ao comércio global). Os protestos dos “coletes amarelos” continuaram neste final de semana na França, com reflexos na economia local. O Euro, entretanto, ganha valor frente o Dólar americano (cotado a US$1,1412).

Em novembro, a criação de vagas na economia norte-americana frustrou as expectativas. Foram gerados +155 mil empregos no mês, após +237 mil em outubro, mantendo a média trimestral em +170 mil. A taxa de desemprego continua no menor patamar em quase meio século, com participação estável, e os ganhos salariais médios mostraram alta acima de 3,0% na base anual. Com a geração de vagas mais moderada na margem, avaliamos que o FED manterá uma postura mais dependente dos dados a partir da reunião de dezembro. A alta de +25 pontos base em dezembro ainda é o cenário mais provável. Entretanto, a trajetória de aumentos de juros daí em diante será mais comedida, conforme sinalizado pelos próprios membros do FED.

Segundo traz a Folha, Jair Bolsonaro pediu à equipe econômica que a reforma da previdência seja suave. Para ele, uma proposta de reforma previdenciária com transição gradual e cujo custo de implantação não recaia sobre um único grupo da sociedade é mais viável politicamente. Por outro lado, esta viabilidade pode tornar mais vagaroso o efeito fiscal (benéfico) das medidas. A pretensão do futuro presidente, segundo o Estadão, ainda é votar a reforma no primeiro semestre.

O fluxo de caixa de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro na ALERJ, continua repercutindo na mídia. Relatório do COAF detectou movimentações financeiras atípicas na conta de Queiroz totalizando R$1,2 milhão nos doze meses até janeiro de 2017. Vale ressaltar que movimentações assim podem ser consideradas crimes apenas se a origem do dinheiro for comprovada ilícita. Tanto Jair como Flávio Bolsonaro argumentam que o ex-assessor, com o qual não conversam mais, terá que se explicar junto ao MPF. Segundo eles, há razões plausíveis para as transações e apenas Queiroz esclarecerá isso. Os recursos depositados em nome de Michelle Bolsonaro, por exemplo, seriam referentes ao saldo parcial de uma dívida antiga (automóvel). O mercado seguirá atento aos desdobramentos deste caso.

Por fim, todos os 22 ministros do futuro governo são agora conhecidos. Neste domingo, o presidente eleito anunciou o advogado Ricardo de Aquino Salles, ex-secretário do Meio Ambiente de SP, para chefiar o Ministério do Meio Ambiente em seu governo. Filiado ao Partido Novo, Salles concorreu neste ano à vaga de deputado federal por SP, sem sucesso.

Agenda de hoje: destaque apenas para as expectativas inflacionárias do Boletim Focus, que devem declinar novamente (2018) em vista da surpresa baixista com o último IPCA (-0,21% em novembro).