DMI Daily Comments – 6 de dezembro de 2018

Após queda de mais de US$20 nas cotações do petróleo nos últimos meses, a reunião da OPEP se iniciará nesta quinta-feira em Viena. O Ministro de Minas e Energia dos Emirados Árabes prevê que o cartel ajustará para baixo o seu ritmo de produção (-1,3 milhões de barris por dia é a sugestão da entidade), assim como o Ministro de Petróleo da Arábia Saudita. O presidente Trump voltou a se opor a tal medida e pediu, via Twitter, que os membros do cartel não reduzam a sua produção; “O mundo não quer, nem precisa de preços mais altos (de petróleo)”.

Os mercados globais registram perdas nesta manhã com a notícia da prisão de executiva da HuaWei Technologies. A empresa chinesa de equipamentos de telecom é acusada de violar as sanções americanas contra o Irã. Sua CFO foi presa no Canadá e possivelmente será extraditada para os EUA. As ações de tecnologia, com isso, puxaram para baixo os resultados das principais praças asiáticas. Os índices de Hong Kong (-2,5%), Shenzhen (-2,2%), Tóquio (-1,9%) e Xangai (-1,7%) todos tiveram quedas nesta quinta-feira. Com o aumento da aversão global ao risco, o Dólar perde valor frente o iene (112,75 ienes agora) e as ações se desvalorizam na Europa e nos EUA também. Os futuros de DJ (-1,4%), S&P (-1,2%) e Nasdaq (-1,7%) todos recuam acima de -1% nesta manhã. Isto dá um viés mais negativo para os índices à vista na sessão de hoje em Wall Street, após quedas entre -3,1% e -3,8% na última terça-feira.

Segundo a Reuters, a revisão do orçamento fiscal da Itália para 2019 será entregue à União Européia na próxima semana. Cerca de quatro bilhões de euros serão cortados em benefícios previdenciários e assistenciais de forma a adequar as propostas de Roma à regulamentação do bloco, evitando multas e medidas corretivas.

No Brasil, as bancadas partidárias estão se posicionando para o próximo mandato e a reforma da previdência continua em foco. Líderes do PR oficializaram apoio ao futuro governo após reunião com Jair Bolsonaro ontem. Ainda assim, ressaltaram que seus deputados não serão coagidos a votar em favor de temas polêmicos. Já o PSDB apoiará apenas os projetos que coincidam com a sua agenda para o País. As reformas da previdência e tributária estariam aí contempladas. Não haverá apoio institucional do PSDB ao PSL, contudo. A partir de 2019, o PR deve contar com 37 cadeiras na Câmara (4ª maior bancada) e o PSDB, 29 (9ª). Neste ambiente, o presidente eleito tornou a afirmar que a Reforma Previdenciária será implementada já no primeiro semestre de 2019 e terá início com uma PEC fixando a idade mínima.

Em pronunciamento na CAE do Senado Federal, o atual presidente do Banco Central (BC) manteve as avaliações da última ata do COPOM. O quadro internacional segue desafiador, ainda que o Brasil possua amortecedores para enfrentar choques. Domesticamente, o IPCA consolida-se em torno da meta, assim como as expectativas inflacionárias. Com isso, a taxa de juros tem se mantido em nível historicamente baixo e o PIB está em gradual retomada. Em vista deste diagnóstico, julgamos que o COPOM tende a manter a taxa Selic no patamar atual de 6,50% ao longo dos próximos trimestres.

Adicionalmente, para Ilan Goldfajn, com “reformas bem feitas” o PIB de 2019 pode se expandir acima de +2,4% (projeção oficial do BC) contando com maiores impulsos de consumo e investimento. O atual presidente assegurou também que a diretoria do COPOM permanecerá a mesma no início do mandato de Roberto Campos Neto (que deve ser sabatinado no Senado até março).

Por fim, o Projeto de Lei (PL) que endurece as regras para o distrato imobiliário foi aprovado ontem na Câmara. Irá agora para sanção presidencial. O PL estipula multa de até 50% (25% antes) quando o empreendimento for por patrimônio de afetação, após a desistência da compra. Avaliamos que esta maior segurança jurídica deve melhorar o ambiente de negócios no setor.