DMI Daily Comments – 4 de dezembro de 2018

No Brasil, a equipe de Jair Bolsonaro iniciará, hoje, conversas preliminares com as bancadas do Congresso. A intenção do governo eleito é estabelecer as bases para uma nova relação entre Executivo e Legislativo (através de grupos temáticos), o que seria algo inovador na política brasileira caracterizada pelo presidencialismo de coalizão. Onyx Lorenzoni (futuro ministro-chefe da Casa Civil) detalhou ontem a estrutura ministerial a partir de 2019; serão 20 Ministérios funcionais e 2 eventuais (BC e AGU). O Ministério do Trabalho será extinto e algumas de suas atribuições serão divididas entre as Pastas da Justiça, Economia (gestão do FGTS, por exemplo) e Cidadania. Adicionalmente, segundo Lorenzoni, a indicação formal, sabatina e posse de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central ocorrerá apenas no próximo ano, bem como eventual avaliação do projeto que aborda a independência da autoridade monetária. Ilan Goldfajn, enquanto isso, permanecerá em seu cargo durante a transição.

Segundo traz O Globo, as linhas gerais da proposta de reforma previdenciária da equipe de Paulo Guedes já estão definidas. Caso servidores mais antigos (admissão antes de 2003) optem por manter os benefícios integrais e reajustes anuais, eles terão que obedecer ao critério da idade mínima de 65 anos. Pretende-se também desvincular os benefícios do Salário Mínimo e implementar um sistema de capitalização individual para novos entrantes. Contudo, ainda faltam detalhes sobre as regras de transição e a diferença de benefícios homem/mulher. A equipe do Presidente eleito pretende deixar a proposta 100% pronta já em janeiro para apresentá-la no mês seguinte, quando se inicia o ano legislativo.

Os mercados asiáticos mostraram certa acomodação nesta terça-feira, vindo de fortes ganhos no dia anterior. Após sete altas consecutivas, o índice Nikkei recuou em -2,4% com destaque de queda para as ações da Nintendo e da Nissan. A bolsa sul-coreana (Kospi) desvalorizou em -0,8%, ao passo que as praças de Hong Kong (+0,3%), Xangai (+0,4%) e Shenzhen (+0,4%) tiveram discretas altas.

Na Austrália, o índice ASX200 teve queda de -1,0% puxada pelo setor financeiro (ANZ e CBA Banking Co.) após o banco central australiano (RBA) manter a taxa básica de juros na mínima histórica de 1,5% ao ano.

As principais bolsas europeias também estão no terreno negativo nesta manhã. Dúvidas em torno da negociação do Brexit e do novo plano fiscal do governo italiano reduzem o ânimo dos investidores, após o rally da véspera. O índice pan-europeu Stoxx600 cede -0,2% (setor automotivo é destaque negativo), o alemão DAX -0,6% e o CAC-14 de Paris -0,6%. O Euro é cotado a US$1,1411 no mercado de divisas de Franckfurt, acima do fechamento de segunda. Em Londres, o barril do BRENT está +1,9% mais caro, em US$62,8.

Por fim, nos EUA, os índices futuros de DJ, S&P e Nasdaq recuam entre -0,6% e -0,8%, sugerindo certo viés negativo para a sessão desta terça.

Na agenda de hoje, destaque para a (possível) votação do projeto da cessão onerosa no Senado, além da produção industrial brasileira em outubro. Vale acompanhar também a inflação atacadista PPI na Zona do Euro e o índice PMI chinês. Sobre o PL da cessão onerosa, Paulo Guedes, Eduardo Guardia e Eunício Oliveira negociam ainda solução conjunta garantindo repasse de parcela dos recursos para as demais unidades da federação.